A insegurança apenas nos atrapalha

Aprender uma nova língua é sempre um grande desafio, que pode ser facilitado ou dificultado dependendo das nossas experiências e da nossa postura em relação a elas. Podemos nos sentir inseguros por inúmeros motivos, mas é importante lembrarmos que a insegurança apenas nos atrapalha, especialmente quando desejamos aprender algo novo. A minha história com a língua inglesa é um exemplo disso, motivo pelo qual eu quero compartilhá-la com você e mostrar como eu cheguei a me tornar uma Embaixadora Global Uninter.

Tenho certeza de que conversar em outro idioma não é problema para muitas pessoas e espero que seja esse o seu caso. Mas não era o meu. Eu sempre estudei em escola pública e, quando comecei a aprender inglês de verdade, além de já estar na faculdade, tinha muitos traumas com a língua. Mas mesmo assim eu consegui e posso dizer que é possível para qualquer um alcançar o mesmo. Aliás, eu vou além: se você não cometer os erros que eu cometi, pode ser muito mais fácil.

“Tenho certeza de que conversar em outro idioma não é problema para muitas pessoas e espero que seja esse o seu caso. Mas não era o meu.”

Minha história com os idiomas começou tarde, embora tivesse vontade de aprender todas as línguas do mundo desde muito cedo. Infelizmente, estudando em escola pública, a oportunidade veio tarde e falha. Comecei a ter aulas de inglês na escola a partir da 5ª série, mas não aprendi muita coisa. Cheguei ao ensino médio com pouco conhecimento da língua e saí de lá da mesma forma, mas com muito mais traumas por não entender nada do que o professor dizia em sala. Nessa época, entretanto, tive um curso bem básico de francês, ministrado por estagiárias de Letras no colégio em que eu estudava. Me apaixonei pela língua mais romântica do mundo e decidi que aprenderia francês de qualquer forma.

Assim que saí do colégio, entrei no curso de Direito e logo comecei a fazer estágios, sempre voluntários. Quando finalmente consegui uma vaga remunerada, antes mesmo de receber a primeira bolsa, decidi que faria um curso de francês. Entretanto, por mais que eu amasse essa língua, eu sabia que o idioma mais usado no mundo e, portanto, o mais necessário para mim, era o inglês, que eu odiava por conta da minha experiência na escola. Determinei então que me matricularia nos dois cursos e aprenderia os dois idiomas: o francês por amor e o inglês por obrigação.

Eu fiquei nos dois cursos por pouco mais de um ano e percebi diferenças cruciais no meu aprendizado, que compartilharei com você para que não cometa os mesmos erros. A primeira diferença se deu nos níveis em que eu iniciei cada curso. Comecei o francês no nível I, pois tinha pouquíssimo conhecimento, mas para o inglês eu fiz uma prova de nivelamento. Eu não me lembro o nível que seria ideal para mim, mas lembro que a escola não tinha turmas de adultos naquele nível, então eles pediram para que eu iniciasse o curso no nível seguinte. Acredito que essa diferença determinou como eu me comportaria em sala, estando aberta a aprender e a errar na aula de francês, que era de nível básico com pessoas como eu, e me mantendo fechada e morrendo de medo de errar nas aulas de inglês.

É claro que eu não podia fazer muito com relação a esse problema, já que a escola que eu escolhi (a única que eu podia pagar) não tinha turmas de inglês no nível em que eu deveria estar. Mas olhando para trás percebo que a minha postura poderia ser diferente: eu uni a minha frustração com o aprendizado da língua inglesa e a insegurança de estar num lugar em que todos sabiam mais do que eu e, ao invés de lutar para alcançá-los, eu falava o mínimo possível para não passar vergonha. Nas aulas de francês, ao contrário, não me importava em errar.

“Olhando para trás percebo que a minha postura poderia ser diferente: eu uni a minha frustração com o aprendizado da língua inglesa e a insegurança de estar num lugar em que todos sabiam mais do que eu e, ao invés de lutar para alcançá-los, eu falava o mínimo possível para não passar vergonha.”

A maior diferença, entretanto, estava na forma como eu via cada um dos idiomas: enquanto eu aprendia francês porque amava, eu tentava aprender inglês por pura obrigação, porque achava que poderia ser importante no futuro. Não me entenda mal, realmente foi importante e eu acredito que ter me forçado a aprender foi muito bom. Mas seria ainda melhor se eu visse a língua com o mesmo carinho com que eu via a outra e quisesse aprender sem considerar isso uma obrigação.

Quando parei ambos os cursos, senti que o meu conhecimento de inglês e de francês era praticamente equivalente, mas que eu tinha uma facilidade muito maior para me expressar em francês. Acredito que isso tenha acontecido porque me mantive aberta a falar (e a errar) nas aulas de francês, mas achava que seria uma grande vergonha se errasse falando em inglês.

Nos anos seguintes pude aprimorar meu inglês com séries de TV e filmes, escutando com atenção enquanto lia a tradução nas legendas. Mas mais do que isso: aprendi a amar o inglês e a querer aprender cada vez mais. Acredito que isso tenha sido crucial para que eu conseguisse finalmente falar em inglês, o que só ocorreu agora, com 32 anos. Tenho certeza de que, se tivesse adotado essa postura antes, aprenderia muito mais rápido e sem tanto sofrimento.

“Aprendi a amar o inglês e a querer aprender cada vez mais. Acredito que isso tenha sido crucial para que eu conseguisse finalmente falar em inglês, o que só ocorreu agora, com 32 anos.”

Espero que esse relato te mostre que nunca é tarde demais, mas que o aprendizado de um idioma (ou de qualquer outro assunto) é muito mais fácil se você se mantém aberto a aprender e principalmente aberto a errar, pois todo conhecimento é construído quebrando certezas e crenças anteriores. Confie na sua capacidade de aprender coisas novas, mantenha seu cérebro em movimento e não se envergonhe por buscar o crescimento, não importa a idade que você tenha. Nunca é tarde demais.

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